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EXPLORAÇÃO DA RNT

UTILIZAÇÃO DA REDE DE TRANSPORTES

Em 2016, a energia transportada pela rede nacional de transporte de eletricidade (RNT) apresentou um forte crescimento de 8,6% face ao ano anterior e atingiu o valor mais elevado de sempre, com 46,7 TWh. Este valor ultrapassa o anterior máximo anual que datava de 2005, em 4,8%. A potência máxima transportada atingiu 9.140 MW, passando a ser igualmente o valor mais elevado de sempre registado na RNT. Esta ponta situa-se cerca de 700 MW acima da máxima registada no ano anterior, adicionando cerca de 300 MW ao anterior máximo histórico, registado em 2007.

Apesar do abrandamento no consumo registado nos últimos anos, e do aumento da injeção de pequenos produtores ao nível da rede de distribuição, o funcionamento do mercado ibérico levou a que a forte exportação verificada ao longo de todo o ano conduzisse aos valores mais elevados de sempre em termos de energia transportada pela RNT. 

As perdas na rede, que totalizaram 801 GWh, aumentaram de 1,56% para 1,72% da energia transportada. Além de uma utilização mais intensa da rede, este aumento está associado fundamentalmente com o forte aumento da produção renovável, concentrada no Norte de Portugal continental. 

46,7 TWh

ELETRICIDA DE ENERGIA TRANSPORTADANA RNT

TWh
'16 '15
ENERGIA ENTRADA NA REDE
46,7
43,0

  Centros Produtores

39,6

33,0

  Interligações

4,6

8,1

  Rede de Distribuição

2,5

1,9

ENERGIA SAÍDA DA REDE
45,9 42,3

  Centros Produtores/Clientes diretos

3,3

3,3

  Interligações

9,7

5,8

  Rede de Distribuição

32,9

33,2

  Consumos Próprios

0,0

0,0

PERDAS
0,8
0,7

As capacidades de interligação disponibilizadas ao mercado situaram-se respetivamente em cerca de 1.950 MW no sentido importador e 2.400 MW no sentido exportador. Com o sistema nacional fortemente exportador ao longo de todo o ano, registaram-se congestionamentos no sentido Portugal-Espanha em 7% dos períodos, enquanto no sentido Espanha-Portugal a interligação esteve congestionada em apenas 1% dos períodos. 

QUALIDADE DE SERVIÇO

A qualidade de serviço técnica – entendida como segurança e continuidade do abastecimento de energia elétrica, com caraterísticas técnicas adequadas – situou-se a níveis adequados, consolidando a tendência de uma progressiva e sustentada melhoria do desempenho da RNT, verificada ao longo dos últimos anos.

No que diz respeito à continuidade de serviço, os seis indicadores gerais estabelecidos no Regulamento da Qualidade de Serviço (ENF, TIE, SAIFI, SAIDI, SARI e MAIFI) registaram valores muito positivos. Com efeito, poder-se-á inferir que as políticas e estratégias adotadas pela concessionária da RNT para a atividade do transporte de energia elétrica promovem a adequação e eficiência na exploração da rede (atributos que são confirmados por estudos de análise comparativa do desempenho técnico-económico, entre operadores de redes de transporte de energia elétrica).

O tempo de interrupção equivalente (TIE), indicador de desempenho global usualmente utilizado pela utilities elétricas, imputado diretamente à REN, foi de 20,4 segundos, correspondendo a uma energia não fornecida de 31,8 MWh. Este valor representa o que seria um fornecimento de energia elétrica praticamente ininterrupto (em 99,99994% do tempo, i.e. 999 horas, 59 minutos e 58 segundos em cada mil horas) a um único consumidor “equivalente”, a totalidade do país, com potência e energia que representasse a totalidade dos diversos pontos de entrega à rede nacional de distribuição e consumidores ligados diretamente à RNT.

EVOLUÇÃO DO TEMPO DE INTERRUPÇÃO EQUIVALENTE – TIE

Em 2016, prosseguiu a monitorização da qualidade da onda de tensão na generalidade dos pontos de entrega e de interligação da RNT

As medições efetuadas continuam a mostrar resultados que se enquadram, com um reduzido número de exceções em casos pontuais e localizados, nos valores padronizados no Regulamento da Qualidade de Serviço.

O nível global da qualidade da energia elétrica depende do número de incidentes registados, ou com impacte, na rede de transporte. Em 2016, o número de incidentes e interrupções foi de 183 (mais 35% que em 2015), dos quais 160 tiveram origem na rede de muito alta tensão (MAT), 11 na rede de alta tensão (AT) e doze em outras redes, mas com impacto nas redes MAT e AT da REN. Apenas seis incidentes (3% do total) provocaram interrupções no abastecimento de energia elétrica aos consumidores, tendo causado seis interrupções de consumo nos pontos de entrega.

EVOLUÇÃO DO NÚMERO DE INCIDENTES

COMPORTAMENTO DAS REDES 

Os principais congestionamentos que ocorreram na RNT, em 2016, estiveram associados a indisponibilidades de elementos de rede, tendo os mesmos sido solucionados através da criação de restrições de geração ou de alterações topológicas introduzidas na rede. Neste campo, merecem particular destaque as indisponibilidades associadas ao aumento da capacidade em linhas a 150 e 400 kV no interior centro de Portugal continental que obrigaram à realização de medidas topológicas especiais, tendo em vista a minimização de restrições na geração e a maximização da capacidade comercial da interligação com Espanha. Adicionalmente, ocorreram indisponibilidades associadas à remodelação dos sistemas de proteção, automação e controlo, nas subestações de Torrão e Évora, que obrigaram à realização de medidas topológicas especiais, tendo em vista a minimização de restrições na geração, no caso do Torrão, e a maximização da segurança no abastecimento dos consumos.

No ano de 2016, apesar de a evolução do consumo de eletricidade em Portugal continental ter sido ligeiramente positiva, o número de linhas da RNT que foi necessário desligar, como solução de recurso para controlo das tensões, reduziu-se substancialmente. Na base desta redução, esteve a maior disponibilidade de meios de gestão de energia reativa com a entrada em serviço de novos equipamentos, as reactâncias shunt, conforme previsto nos planos de desenvolvimento e investimento da rede de transporte.

OPERAÇÃO DO SISTEMA 

No ano de 2016 o sistema elétrico português apresentou, pela primeira vez, um saldo anual exportador de cerca de 5 TWh, tendo-se registado diversos máximos históricos, tal como se segue:

    • Produção de ciclo combinado: Potência = 3.344 MW
    • Produção de grande hídrica: Potência = 5.547 MW; Energia = 114,6 GWh
    • Produção eólica: Potência = 4.453 MW
    • Produção fotovoltaica: Potência = 390 MW; Energia = 3,5 GWh
    • Consumo por bombagem de aproveitamentos hidroelétricos:
      Potência = 1.933 MW; Energia = 18,9 GWh
    • Exportação: Potência = 3.529 MW.

Em conclusão, o crescimento da produção por renováveis e o funcionamento do mercado levaram ao estabelecimento de vários máximos da utilização da rede de transporte, ainda que o consumo não tenha sofrido grande alteração.

OPERAÇÃO DO MERCADO

Em 2016, sete novos agentes de mercado iniciaram a sua atividade e um agente de mercado cessou a sua atividade no sistema elétrico nacional (SEN). Desta forma, no final do ano existiam 39 agentes de mercado, dos quais três são produtores.

Em agosto de 2016, a REN tornou-se membro observador do projeto IGCC (International Grid Control Cooperation). O IGCC é o projeto de referência para a implementação do processo de imbalance netting, o qual visa a cooperação entre TSO (Transmission System Operators) para compensação, durante a operação em tempo real, dos desvios dos diversos sistemas elétricos envolvidos. Com a sua implementação, prevê-se que ocorra uma diminuição das mobilizações de energia de regulação secundária, contribuindo para o aumento da eficiência dos serviços necessários para a operação do SEN com adequados níveis de segurança de abastecimento.

No final de 2016, a REN iniciou os primeiros testes de conectividade entre a plataforma informática da REN e a plataforma XBID (Cross-Border Intraday Initiative). A plataforma XBID é gerida pela DBAG (Deutsche Börse AG) e visa assegurar a interação das plataformas informáticas dos membros deste projeto para a criação de um mercado intradiário integrado em toda a Europa. Quando ocorrer a entrada em funcionamento do XBID, as ordens efetuadas pelos participantes no mercado poderão ser correspondidas de uma forma contínua em qualquer outro país dentro do alcance do projeto, desde que a capacidade de interligação esteja disponível.

Em termos de desenvolvimentos internacionais, realça-se:

    • Em julho de 2016, no âmbito do projeto Market Regional Coupling, iniciou-se com sucesso o acoplamento efetivo da fronteira Áustria-Eslovénia.
    • A 27 de setembro, é publicado o Regulamento (UE) n.º 2016/1719 que estabelece orientações que estabelece orientações sobre a atribuição de capacidade de interligação a prazo.
    • A 17 de novembro de 2016, a Agência de Cooperação dos Reguladores da Energia (ACER) comunica a decisão tomada relativamente às regiões de cálculo de capacidade.

DESEMPENHO DOS ATIVOS DA REDE DE TRANSPORTES

    • Disponibilidade

A taxa combinada de disponibilidade, indicador regulatório introduzido pela ERSE em 2009, atingiu em 2016 o valor de 98,33%, valor semelhante ao obtido em 2015. A figura seguinte apresenta a evolução anual deste indicador nos últimos cinco anos. Este desempenho traduz uma evolução positiva ao nível da coordenação e programação das indisponibilidades da rede ao longo do período em causa. 

TAXA COMBINADA DE DISPONIBILIDADE

    • Fiabilidade

Em 2016, as linhas da RNT apresentaram um desempenho satisfatório, apesar do aumento do número de incidentes face ao ano anterior (+85%), devido sobretudo ao elevado número de incêndios verificados nos meses de verão. O gráfico seguinte ilustra o desempenho das linhas nos últimos cinco anos, no que respeita ao número de defeitos por 100 quilómetros de circuito.

EVOLUÇÃO DO NÚMERO DE DEFEITOS COM ORIGEM EM LINHAS DA RNT POR 100 KM DE CIRCUITO

A taxa global de disponibilidade dos circuitos de linha, incluindo os painéis terminais, foi de 98,62%, valor marginalmente inferior ao do ano anterior (-0,05%).

De uma forma geral, as subestações registaram um comportamento favorável no seu desempenho em serviço. Apesar desse facto, verificou-se um ligeiro incremento no número de avarias em transformadores e disjuntores, face ao verificado em 2015, embora, na maioria dos casos, sem consequências para a exploração da rede. A taxa global de disponibilidade de transformadores e autotransformadores (incluindo os respetivos painéis) situou-se nos 97,45%, valor ligeiramente inferior ao verificado em 2015 (-0,31%). Este indicador é afetado, sobretudo, por remodelações e substituições de equipamento AT e de transformadores.

No relatório da qualidade de serviço, publicado anualmente pela REN, estes temas são tratados com maior profundidade técnica.