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— RELATÓRIO DE GESTÃO

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Satisfazer critérios de qualidade e segurança, garantir o fornecimento ininterrupto de energia, manter o equilíbrio entre a oferta e a procura de energia, são tarefas diárias que traduzem uma atitude comprometida com o futuro.

4.1.1 ›

ENVOLVENTE ECONÓMICA

ECONOMIA MUNDIAL1

A economia mundial manteve a tendência de recuperação durante o ano de 2016, esperando-se um crescimento da atividade económica global de +3,0% (vs. +3,1% em 2015). Esta recuperação teve subjacentes diferentes ritmos de crescimento entre economias desenvolvidas e emergentes.

No caso das economias desenvolvidas verificou-se uma desaceleração do ritmo de crescimento, com uma previsão de +1,7% em 2016 vs. +2,2% em 2015.
Para este desempenho, contribuiu o abrandamento do crescimento verificado na União Europeia, cuja taxa de crescimento se espera vir a atingir +1,8% em 2016 (vs. +2,2% em 2015). Apesar da desaceleração verificada na maioria dos países da União Europeia, estas performances são contrabalançadas com situações pontuais de aceleração de crescimento económico, como é o caso da Alemanha (+1,9% em 2016 vs. +1,7% em 2015). Fora da União Europeia, os Estados Unidos apresentaram também uma retração na recuperação económica (+1,6% em 2016 vs. +2,6% em 2015), resultante de uma redução do investimento em diversos setores, nomeadamente no setor energético, da manutenção do forte peso do dólar e da fraca procura externa. No caso do Japão, verificou-se uma ligeira aceleração da taxa de crescimento (+0,7% em 2016 vs. +0,5 em 2015), sustentada pela recuperação da procura interna e adoção de políticas de apoio ao desenvolvimento macroeconómico.

Nas economias emergentes, ao contrário das economias desenvolvidas, verificou-se uma melhoria no ritmo de crescimento (+4,0% em 2016 vs. +3,8% em 2015). No entanto, os desempenhos individuais de crescimento são muito diferenciados. O aumento dos preços das commodities suportou o desenvolvimento da maioria dos países exportadores, incluindo a Rússia (-1,0% em 2016 vs. -3,7% em 2015) e o Brasil (-3,1% em 2016 vs. -3,8% em 2015), onde uma certa normalização da situação política também contribuiu para uma melhoria do crescimento destes países. Adicionalmente, muitos países das economias emergentes têm vindo a beneficiar do sentimento positivo dos investidores, da recuperação de inflows de capital, aumento dos preços das ações e taxas de câmbio mais fortes. Ao mesmo tempo, em algumas regiões, nomeadamente no Médio Oriente e no Norte de África (+2,6% em 2016 vs. +2,2% em 2015) e na África Subsariana (+2,1% em 2016 vs. +3,5% em 2015), verificou-se um abrandamento do crescimento, resultante da deterioração de problemas internos e geopolíticos, incluindo conflitos armados e grandes consolidações orçamentais para fazer face à forte queda das receitas petrolíferas.

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ECONOMIA GLOBAL

CRESCIMENTO

A recuperação da economia global difere de ritmos entre as economias desenvolvidas e emergentes

Nas economias emergentes verificou-se uma melhoria no ritmo de crescimento de + 4,0 % em 2016.

No caso das economias desenvolvidas verificou-se uma desaceleração do ritmo de crescimento, com uma previsão de +1,7% em 2016 vs. +2,2% em 2015. 

Para este desempenho, contribuiu o abrandamento do crescimento verificado na União Europeia, cuja taxa de crescimento se espera vir a atingir +1,8% em 2016 (vs. +2,2% em 2015). Apesar da desaceleração verificada na maioria dos países da União Europeia, estas performances são contrabalançadas com situações pontuais de aceleração de crescimento económico, como é o caso da Alemanha (+1,9% em 2016 vs. +1,7% em 2015). Fora da União Europeia, os Estados Unidos apresentaram também uma retração na recuperação económica (+1,6% em 2016 vs. +2,6% em 2015), resultante de uma redução do investimento em diversos setores, nomeadamente no setor energético, da manutenção do forte peso do dólar e da fraca procura externa. No caso do Japão, verificou-se uma ligeira aceleração da taxa de crescimento (+0,7% em 2016 vs. +0,5 em 2015), sustentada pela recuperação da procura interna e adoção de políticas de apoio ao desenvolvimento macroeconómico.

Nas economias emergentes, ao contrário das economias desenvolvidas, verificou-se uma melhoria no ritmo de crescimento (+4,0% em 2016 vs. +3,8% em 2015). No entanto, os desempenhos individuais de crescimento são muito diferenciados. O aumento dos preços das commodities suportou o desenvolvimento da maioria dos países exportadores, incluindo a Rússia (-1,0% em 2016 vs. -3,7% em 2015) e o Brasil (-3,1% em 2016 vs. -3,8% em 2015), onde uma certa normalização da situação política também contribuiu para uma melhoria do crescimento destes países. Adicionalmente, muitos países das economias emergentes têm vindo a beneficiar do sentimento positivo dos investidores, da recuperação de inflows de capital, aumento dos preços das ações e taxas de câmbio mais fortes. Ao mesmo tempo, em algumas regiões, nomeadamente no Médio Oriente e no Norte de África (+2,6% em 2016 vs. +2,2% em 2015) e na África Subsariana (+2,1% em 2016 vs. +3,5% em 2015), verificou-se um abrandamento do crescimento, resultante da deterioração de problemas internos e geopolíticos, incluindo conflitos armados e grandes consolidações orçamentais para fazer face à forte queda das receitas petrolíferas.

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Economia Global Cresceu em 2016
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zona Euro Cresceu em 2016

1 Fonte: Comissão Europeia: European Economic Forecast, Autumn 2016

ZONA EURO2

A zona euro continuou a crescer a um ritmo moderado em 2016 (+1,7% vs. +2,0% em 2015). Na base do crescimento da zona euro estiveram fatores como a redução do preço das commodities, a desvalorização do euro e políticas monetárias expansionistas por parte do Banco Central Europeu. No entanto, o fraco crescimento do comércio mundial levou a uma desaceleração do crescimento da economia da zona euro, permanecendo um sentimento de elevada incerteza quanto ao futuro.

A zona euro continuou a crescer a um ritmo moderado. O consumo privado continuou em 2016 o ritmo de crescimento (+1,7% em 2016 vs. +1,8% em 2015), beneficiando da melhoria do emprego que ajudou a cancelar o impacte negativo da inflação no poder de compra das famílias.

Os fatores que nos últimos anos têm levado ao crescimento do investimento após a crise mantiveram-se em 2016 (+3,3% em 2016 vs. +3.2% em 2015) e o investimento em construção deverá crescer pela primeira vez desde a crise.
A fragilidade do comércio internacional e o decréscimo nas exportações para o Reino Unido, aliadas à depreciação da libra, são fatores limitadores para o crescimento das exportações (+2,7% em 2016 vs. +6,5% em 2015). As taxas de desemprego continuaram a descer ainda mais (+10,1% em 2016 vs. +10.9% em 2015) e o aumento dos preços do petróleo levou a um ligeiro crescimento da inflação na zona euro (+0,3% em 2016 vs. 0,0% em 2015).

2 Fonte: Comissão Europeia: European Economic Forecast, Autumn 2016 – Euro Zone

 

 

TAXAS DE JURO3

A implementação total das medidas de política monetária introduzidas nos últimos anos manteve uma pressão decrescente nas taxas de empréstimo bancário e nas taxas das obrigações. A compra de ativos pelo Banco Central Europeu sob o CSPP (Corporate Sector Purchases-Programme), iniciado em junho de 2016, levou a uma contínua melhoria das condições de financiamento para empresas não financeiras. Ao mesmo tempo, os efeitos da taxa de juro de depósito do BCE nos mercados monetários e nas condições de financiamento foram reforçados pelo crescimento de excesso de liquidez gerado através das compras de ativos.

Durante o ano de 2016, a taxa de referência do Banco Central Europeu reduziu-se de +0,05% (valor mínimo histórico instituído em setembro de 2014) para os 0.00%. As taxas Euribor para os prazos de 3,6 e 12 meses atingiram -0,319% (vs. -0,131% no final de 2015), -0,221% (vs. -0,040%) e -0,082% (vs. +0,060%), respetivamente.

Fonte: Taxas de Referência ECB (www.ecb.int).

ECONOMIA NACIONAL4

A recuperação económica continuou em 2016 (+0,9% vs. +1,6% em 2015), embora a um ritmo modesto, impulsionada pelo consumo privado (+1,8% em 2016 vs. +2,6% em 2015), mas abrandada por fracos investimentos (-1,4% em 2016 vs. +4,5% em 2015). De facto, o modesto crescimento do consumo privado ocorreu em linha com um consumo mais estável de bens de longa duração, o aumento dos preços do petróleo e o ainda elevado nível de endividamento das famílias portuguesas. Por sua vez, embora o investimento em maquinarias e equipamentos tenha melhorado, o investimento na construção retraiu-se. 

A procura interna contribuiu em +1,1 p.p. na taxa de crescimento do PIB, enquanto as exportações líquidas contribuíram em -0,2 p.p. As importações registaram um aumento, embora a um ritmo inferior ao ano anterior (+3,3% em 2016 vs. +8,2% em 2015), enquanto nas exportações a taxa de crescimento caiu para metade (+2,8% em 2016 vs. +6,1% em 2015).

Ao nível das contas públicas, manteve-se o esforço de consolidação no sentido de reduzir o défice público abaixo do nível máximo permitido no Pacto de Estabilidade e Crescimento da União Europeia (3%). Deste modo, o défice esperado em 2016 situa-se nos 2,7% do PIB, manifestando uma redução face aos 4,4% verificados em 2015. Por seu lado, o peso da dívida pública no PIB deve subir ligeiramente face ao ano anterior, subindo de 129% em 2015 para 130,3% em 2016. 

A taxa de desemprego mantém o seu sentido descendente, estimando-se uma quebra para 11,1% em 2016 vs. 12,6% em 2015.

4 Fonte: Comissão Europeia: European Economic Forecast, Autumn 2016.

PORTUGAL

Continua a recuperar economicamente a um ritmo modesto

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2016 +1.7% Crescimento do consumo privado
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2015 +3.0% Crescimento da economia global